{"id":933,"date":"2014-06-15T15:40:43","date_gmt":"2014-06-15T15:40:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pueblosencamino.org\/wp\/?p=933"},"modified":"2014-06-15T15:40:43","modified_gmt":"2014-06-15T15:40:43","slug":"brasil-mtst-extiende-la-mano-dilma-duda-por-vinculos-con-el-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pueblosencamino.org\/?p=933","title":{"rendered":"Brasil MTST extiende la mano, Dilma duda por v\u00ednculos con el Capital"},"content":{"rendered":"<div> \tEl Movimiento de Trabajadores sin Techo de Brasil, propone una agenda concreta de tres puntos al gobierno de Dilma y ofrece suspender las movilizaciones masivas que aprovechan la Copa Mundo para luchar por sus derechos. A\u00fan frente a esta propuesta, Dilma duda porque est\u00e1 comprometida con el gran capital. \u201cCapazes de mobilizar multid\u00f5es na Copa, sem-teto n\u00e3o querem confronto com governo. Est\u00e3o sendo empurrados para isso, em novo sinal do impasse pol\u00edtico brasileiro.\u201d \u00bfC\u00f3mo As\u00ed?\u201d<\/div>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"> \t<a href=\"http:\/\/El Movimiento de Trabajadores sin Techo de Brasil, propone una agenda concreta de tres puntos al gobierno de Dilma y ofrece suspender las movilizaciones masivas que aprovechan la Copa Mundo para luchar por sus derechos. A\u00fan frente a esta propuesta, Dilma duda porque est\u00e1 comprometida con el gran capital. \u201cCapazes de mobilizar multid\u00f5es na Copa, sem-teto n\u00e3o querem confronto com governo. Est\u00e3o sendo empurrados para isso, em novo sinal do impasse pol\u00edtico brasileiro.\u201d \u00bfC\u00f3mo As\u00ed?\u201d   A estrat\u00e9gia de Boulos e a hesita\u00e7\u00e3o de Dilma   Um golpe de sorte e alguma capacidade de enxergar cen\u00e1rios. Gra\u00e7as a estes fatores, Guilherme Boulos \u2013 coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) \u2013 abriu ontem (5\/6) a s\u00e9rie de entrevistas em v\u00eddeo que Outras Palavras far\u00e1, em parceria com o Est\u00fadio Fluxo, sobre temas nacionais e internacionais relevantes [a entevista pode ser vista, na \u00edntegra, aqui https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7Js-HfncJ_U#t=25]. O MTST \u00e9 a bola da vez, na grande onda de mobiliza\u00e7\u00f5es sociais iniciada em junho do ano passado. Na quarta-feira (4\/6), mobilizou 25 mil pessoas, pelo direito a moradia. Rodeou o \u201cItaquer\u00e3o\u201d, onde, em seis dias, come\u00e7a a Copa do Mundo.  Articula-se em todo o pa\u00eds. Em S\u00e3o Paulo, ocupou enormes terrenos urbanos, antes entregues \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Neles vivem (acampados em tendas), organizam-se e se politizam cerca de 30 mil pessoas. O que Boulos exp\u00f4s, na entrevista a Bruno Torturra (do Fluxo) e a mim, \u00e9 essencial para compreender a pot\u00eancia atual do movimento. Tamb\u00e9m ajuda a compreender os limites que o governo Dilma imp\u00f4s a si pr\u00f3prio \u2013 e a necessidade de romp\u00ea-los.  Tr\u00eas caracter\u00edsticas centrais distinguem o MTST, na vasta gal\u00e1xia de movimentos que se enxergam como herdeiros das jornadas de junho. A primeira \u00e9 a \u00eanfase no trabalho de base, consequ\u00eancia de uma avalia\u00e7\u00e3o particular sobre a conjuntura pol\u00edtica do Brasil. Ao contr\u00e1rio de muitos, os sem-teto n\u00e3o julgam que estejamos \u00e0s vesperas de derrubar a ordem capitalista. Reconhecem a import\u00e2ncia dos protestos do \u00faltimo ano \u2013 mas tamb\u00e9m seus limites. Grandes transforma\u00e7\u00f5es, adverte Boulos, s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis com envolvimento ativo das maiorias. N\u00e3o basta convencer pequenos grupos, os \u201c60 ou 70 mil mais mobilizados\u201d. A fase, portanto, n\u00e3o \u00e9 de enfrentamentos abertos, mas de \u201cacumular for\u00e7as\u201d.  Terminada a fase dos grandes protestos, em julho de 2013, as ruas esvaziaram-se. Alguns grupos tentaram compensar este vazio radicalizando artificialmente as manifesta\u00e7\u00f5es \u2013 o que as desgastou junto a parcela crescente da popula\u00e7\u00e3o. Os sem-teto adotaram outra t\u00e1tica. Preferiram voltar-se para as periferias. L\u00e1, prossegue o l\u00edder do movimento, deu-se algo que nem as classes m\u00e9dias, nem a m\u00eddia, enxergaram. O desconforto provocado pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria converteu-se em desejo de agir. A vit\u00f3ria na redu\u00e7\u00e3o da tarifa de \u00f4nibus \u201cfuncionou como gatilho: sinalizou que a luta social poderia alcan\u00e7ar conquistas\u201d, diz Boulos.   \u201cN\u00e3o fomos n\u00f3s que estimulamos as ocupa\u00e7\u00f5es de terrenos. Era a popula\u00e7\u00e3o que nos procurava\u201d, prossegue ele. Criado h\u00e1 quinze anos \u2013 em seu in\u00edcio, como uma esp\u00e9cie de \u201cbra\u00e7o urbano\u201d do MST \u2013, o MTST havia acumulado experi\u00eancia para atender ao chamado. Ao inv\u00e9s de se lan\u00e7ar a enfrentamentos egoicos com a pol\u00edcia (e as vitrines de bancos\u2026), articulou desejos coletivos. O resultado apareceu rapidamente.  No final de novembro come\u00e7ava, na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, a Ocupa\u00e7\u00e3o Nova Palestina. Reuniu 8 mil fam\u00edlias e tem mais 2 mil na lista de espera. S\u00e3o \u201ctrabalhadores em busca de alternativa ao aluguel, que passou em poucos anos de R$ 300 para R$ 800, sem que o sal\u00e1rio tenha subido de modo proporcional, explica o l\u00edder dos sem-teto. T\u00eam, nas ocupa\u00e7\u00f5es, uma escola. Organizam-se em Grupos de Trabalho, para cuidar da alimenta\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e limpeza. Realizam assembleias peri\u00f3dicas. Debatem e agem. Em 29 de abril, ocuparam a C\u00e2mara dos Vereadores, para exigir que o Plano Diretor de S\u00e3o Paulo ampliasse a possibilidade de criar Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) para constru\u00e7\u00e3o de moradias populares.  A segunda caracter\u00edstica distintiva do MTST \u00e9 sua postura diante do poder. Depois de junho, e a exemplo do que ocorre entre movimentos como o Occupy e os Indignados espanhois, tornaram-se frequentes, nas manifesta\u00e7\u00f5es brasileiras, ataques gen\u00e9ricos contra o Estado. Seriam todos os governantes iguais? Estar\u00edamos num momento em que \u00e9 poss\u00edvel nos voltar contra eles em bloco?  O MTST tem uma vis\u00e3o diferente \u2013 e bastante sofisticada. Boulos v\u00ea o Brasil num impasse. Durante dez anos, diz ele, os governos Lula e Dilma ampliaram direitos sociais sem incomodar os poderosos: \u201co bolo crescia, era poss\u00edvel aumentar a fatia de todos\u201d. Nos \u00faltimos anos, a receita desandou. Num cen\u00e1rio internacional mais dif\u00edcil \u2013 inclusive com desacelera\u00e7\u00e3o da China, hoje principal importadora de produtos brasileiros \u2013, a economia est\u00e1 estagnada. Seria hora \u201cda redistribui\u00e7\u00e3o efetiva de renda\u201d e de \u201cmudan\u00e7as estruturais\u201d, como a Reforma Pol\u00edtica e a Reforma Tribut\u00e1ria. Dilma hesita, temerosa de romper os la\u00e7os do governo com setores do grande capital \u2013 banqueiros, empreiteiras, ind\u00fastria automobil\u00edstica, por exemplo. A ponto de o l\u00edder dos sem-teto ter dito, na entrevista, que n\u00e3o considera de esquerda o atual governo.  Isso n\u00e3o o leva, por\u00e9m, a igualar o PT aos partidos que representam as velhas elites. Coerente com sua estrat\u00e9gia de acumular for\u00e7as, Boulos busca coroar a impressionante onda de mobiliza\u00e7\u00f5es dos sem-teto com uma vit\u00f3ria. Ainda que seja parcial, sabe ele, esta conquista pode ter enorme efeito simb\u00f3lico. Significar\u00e1 interromper a mar\u00e9 de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, segrega\u00e7\u00e3o social e alta opressiva dos pre\u00e7os, que marca as metr\u00f3poles brasileiras desde a virada do s\u00e9culo.  E aqui surge o terceiro tra\u00e7o particular deste movimento que mant\u00e9m acesa a chama das jornadas de junho. Ele n\u00e3o se limita a criticar a Copa do Mundo, nem a fazer reivindica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas e intang\u00edveis (\u201cSe n\u00e3o tiver direitos, n\u00e3o vai ter Copa\u201d). Formulou uma pauta concreta de exig\u00eancias. Ela \u00e9, ao mesmo tempo, vi\u00e1vel e transformadora. Por isso, coloca o governo Dilma n\u00e3o diante de uma cr\u00edtica ret\u00f3rica (ainda que estridente\u2026), mas em face de um dilema real.  S\u00e3o tr\u00eas os pontos que o MTST persegue, para que o governo sinalize que o legado da Copa n\u00e3o se limitar\u00e1 a um punhado de obras e milhares de desalojados. Primeiro, um controle p\u00fablico dos pre\u00e7os dos alugu\u00e9is urbanos. \u00c9 algo que interessa tanto ao sem-teto quanto \u00e0 classe m\u00e9dia. \u201cJ\u00e1 houve no Brasil \u2013 frisa Boulos \u2013 in\u00fameras leis de regula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre propriet\u00e1rios e inquilinos. A primeira delas veio no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, em resposta \u00e0 greve geral de 1917, em S\u00e3o Paulo. A liberdade total para especular veio dos governos neoliberais e foi mantida, at\u00e9 o momento, por Lula e Dilma. Est\u00e1 na hora de rev\u00ea-la, o que exige uma nova lei.  As duas reivindica\u00e7\u00f5es seguintes s\u00e3o o fim da atual onda de despejos (o MTST quer instalar, na secretaria de Direitos Humanos do governo federal, uma comiss\u00e3o que acompanhe as decis\u00f5es judiciais contra moradores, d\u00ea visibilidade a seu car\u00e1ter muitas vezes absurdo e permita abrir negocia\u00e7\u00f5es) e uma mudan\u00e7a substancial no programa Minha Casa, Minha Vida. Aqui, entram aspectos que a popula\u00e7\u00e3o desconhece.  Em seu formato atual, explica Boulos, o programa \u00e9 um pr\u00eamio para as empreiteiras e o mercado imobili\u00e1rio, muito mais que para as popula\u00e7\u00f5es sem casa. Foi concebido na esteira da crise financeira de 2008, que amea\u00e7ava destro\u00e7ar o setor de constru\u00e7\u00e3o no Brasil. Suas regras primitivas denunciam esta deforma\u00e7\u00e3o.  A empresa que ergue um conjunto habitacional \u00e9 remunerada, pelo governo federal, por apartamento entregue \u2013 n\u00e3o importando qualidade, tamanho ou localiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o R$ 76 mil por unidade, a partir de 39m\u00b2. N\u00e3o h\u00e1 est\u00edmulo algum para oferecer espa\u00e7o mais amplo (as fam\u00edlias s\u00e3o muitas vezes numerosas) ou pr\u00e9dios pr\u00f3ximos \u00e0 infra-estrutura do centro. Vigora a lei da selva. Quando mais barato o terreno (portanto, mais distante e sem benfeitorias), e mais rude a constru\u00e7\u00e3o, maiores ser\u00e3o os lucros do empres\u00e1rio. N\u00e3o por acaso, at\u00e9 os grupos gigantescos que empreitam obras p\u00fablicas \u2013 como Camargo Corr\u00eaa e Oderbrecht \u2013 abriram um ramo no Minha Casa, Minha Vida.  O MTST quer um crit\u00e9rio menos tosco. Por que n\u00e3o estabelecer faixas de remunera\u00e7\u00e3o aos construtores, segundo a localiza\u00e7\u00e3o do conjunto habitacional, tamanho e qualidade da obra?  Por que n\u00e3o quebrar o quase-monop\u00f3lio das construtoras, abrindo espa\u00e7o para que os pr\u00f3prios movimentos sociais construam as habita\u00e7\u00f5es? Um conjunto que os sem-teto erguem no momento, na Grande S.Paulo, ter\u00e1 apartamentos de 63m\u00b2 e tr\u00eas dormit\u00f3rios. Por\u00e9m, pelas regras atuais, as construtoras privadas t\u00eam 66 vezes mais recursos federais, do Minha Casa, Minha Vida, que os movimentos por habita\u00e7\u00e3o.  Boulos reconhece: o governo federal n\u00e3o tem como resolver, at\u00e9 a Copa, a quest\u00e3o dos alugueis. Pode fazer sinaliza\u00e7\u00e3o. Por exemplo, anunciando uma Medida Provis\u00f3ria, ou Projeto de Lei. Mas em rela\u00e7\u00e3o aos despejos, e \u00e0s mudan\u00e7as no Minha Casa, Minha Vida, h\u00e1 espa\u00e7o. Que pesar\u00e1 mais, para Dilma? A possibilidade de abrir di\u00e1logo com um movimento social emergente, cujas reivindica\u00e7\u00f5es expressam parte do resgate da d\u00edvida social brasileira? Ou o compromisso com o c\u00edrculo de interesses que gira em torno de empreiteiras, pol\u00edticos e lobbies?  Na manh\u00e3 desta sexta-feira (6\/6), o MTST anunciou que suspendera a manifesta\u00e7\u00e3o marcada para diante do Est\u00e1dio do Morumbi (S\u00e3o Paulo), onde o Brasil enfrenta, esta tarde, a S\u00e9rvia, no \u00faltimo amistoso antes da Copa. \u00c9 um voto de confian\u00e7a no governo, com quem seguem as negocia\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o uma desist\u00eancia. A Copa come\u00e7a em menos de uma semana. Qual ser\u00e1 a sinaliza\u00e7\u00e3o de Dilma? O projeto lulista considera a hip\u00f3tese de um passo adiante? Ou ser\u00e1 necess\u00e1rio super\u00e1-lo, a partir de longo trabalho de base, para vencer tamb\u00e9m o impasse em que o Brasil se meteu?  POR ANTONIO MARTINS 06\/06\/2014 http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/a-estrategia-de-boulos-e-a-hesitacao-de-dilma\/\"><span style=\"font-size:18px;\"><strong>A estrat\u00e9gia de Boulos e a hesita\u00e7\u00e3o de Dilma<\/strong><\/span><\/a><\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Um golpe de sorte e alguma capacidade de enxergar cen\u00e1rios. Gra\u00e7as a estes fatores, Guilherme Boulos \u2013 coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) \u2013 abriu ontem (5\/6) a s\u00e9rie de entrevistas em v\u00eddeo que Outras Palavras far\u00e1, em parceria com o Est\u00fadio Fluxo, sobre temas nacionais e internacionais relevantes [<a href=\"http:\/\/El Movimiento de Trabajadores sin Techo de Brasil, propone una agenda concreta de tres puntos al gobierno de Dilma y ofrece suspender las movilizaciones masivas que aprovechan la Copa Mundo para luchar por sus derechos. A\u00fan frente a esta propuesta, Dilma duda porque est\u00e1 comprometida con el gran capital. \u201cCapazes de mobilizar multid\u00f5es na Copa, sem-teto n\u00e3o querem confronto com governo. Est\u00e3o sendo empurrados para isso, em novo sinal do impasse pol\u00edtico brasileiro.\u201d \u00bfC\u00f3mo As\u00ed?\u201d   A estrat\u00e9gia de Boulos e a hesita\u00e7\u00e3o de Dilma   Um golpe de sorte e alguma capacidade de enxergar cen\u00e1rios. Gra\u00e7as a estes fatores, Guilherme Boulos \u2013 coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) \u2013 abriu ontem (5\/6) a s\u00e9rie de entrevistas em v\u00eddeo que Outras Palavras far\u00e1, em parceria com o Est\u00fadio Fluxo, sobre temas nacionais e internacionais relevantes [a entevista pode ser vista, na \u00edntegra, aqui https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7Js-HfncJ_U#t=25]. O MTST \u00e9 a bola da vez, na grande onda de mobiliza\u00e7\u00f5es sociais iniciada em junho do ano passado. Na quarta-feira (4\/6), mobilizou 25 mil pessoas, pelo direito a moradia. Rodeou o \u201cItaquer\u00e3o\u201d, onde, em seis dias, come\u00e7a a Copa do Mundo.  Articula-se em todo o pa\u00eds. Em S\u00e3o Paulo, ocupou enormes terrenos urbanos, antes entregues \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Neles vivem (acampados em tendas), organizam-se e se politizam cerca de 30 mil pessoas. O que Boulos exp\u00f4s, na entrevista a Bruno Torturra (do Fluxo) e a mim, \u00e9 essencial para compreender a pot\u00eancia atual do movimento. Tamb\u00e9m ajuda a compreender os limites que o governo Dilma imp\u00f4s a si pr\u00f3prio \u2013 e a necessidade de romp\u00ea-los.  Tr\u00eas caracter\u00edsticas centrais distinguem o MTST, na vasta gal\u00e1xia de movimentos que se enxergam como herdeiros das jornadas de junho. A primeira \u00e9 a \u00eanfase no trabalho de base, consequ\u00eancia de uma avalia\u00e7\u00e3o particular sobre a conjuntura pol\u00edtica do Brasil. Ao contr\u00e1rio de muitos, os sem-teto n\u00e3o julgam que estejamos \u00e0s vesperas de derrubar a ordem capitalista. Reconhecem a import\u00e2ncia dos protestos do \u00faltimo ano \u2013 mas tamb\u00e9m seus limites. Grandes transforma\u00e7\u00f5es, adverte Boulos, s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis com envolvimento ativo das maiorias. N\u00e3o basta convencer pequenos grupos, os \u201c60 ou 70 mil mais mobilizados\u201d. A fase, portanto, n\u00e3o \u00e9 de enfrentamentos abertos, mas de \u201cacumular for\u00e7as\u201d.  Terminada a fase dos grandes protestos, em julho de 2013, as ruas esvaziaram-se. Alguns grupos tentaram compensar este vazio radicalizando artificialmente as manifesta\u00e7\u00f5es \u2013 o que as desgastou junto a parcela crescente da popula\u00e7\u00e3o. Os sem-teto adotaram outra t\u00e1tica. Preferiram voltar-se para as periferias. L\u00e1, prossegue o l\u00edder do movimento, deu-se algo que nem as classes m\u00e9dias, nem a m\u00eddia, enxergaram. O desconforto provocado pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria converteu-se em desejo de agir. A vit\u00f3ria na redu\u00e7\u00e3o da tarifa de \u00f4nibus \u201cfuncionou como gatilho: sinalizou que a luta social poderia alcan\u00e7ar conquistas\u201d, diz Boulos.   \u201cN\u00e3o fomos n\u00f3s que estimulamos as ocupa\u00e7\u00f5es de terrenos. Era a popula\u00e7\u00e3o que nos procurava\u201d, prossegue ele. Criado h\u00e1 quinze anos \u2013 em seu in\u00edcio, como uma esp\u00e9cie de \u201cbra\u00e7o urbano\u201d do MST \u2013, o MTST havia acumulado experi\u00eancia para atender ao chamado. Ao inv\u00e9s de se lan\u00e7ar a enfrentamentos egoicos com a pol\u00edcia (e as vitrines de bancos\u2026), articulou desejos coletivos. O resultado apareceu rapidamente.  No final de novembro come\u00e7ava, na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, a Ocupa\u00e7\u00e3o Nova Palestina. Reuniu 8 mil fam\u00edlias e tem mais 2 mil na lista de espera. S\u00e3o \u201ctrabalhadores em busca de alternativa ao aluguel, que passou em poucos anos de R$ 300 para R$ 800, sem que o sal\u00e1rio tenha subido de modo proporcional, explica o l\u00edder dos sem-teto. T\u00eam, nas ocupa\u00e7\u00f5es, uma escola. Organizam-se em Grupos de Trabalho, para cuidar da alimenta\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e limpeza. Realizam assembleias peri\u00f3dicas. Debatem e agem. Em 29 de abril, ocuparam a C\u00e2mara dos Vereadores, para exigir que o Plano Diretor de S\u00e3o Paulo ampliasse a possibilidade de criar Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) para constru\u00e7\u00e3o de moradias populares.  A segunda caracter\u00edstica distintiva do MTST \u00e9 sua postura diante do poder. Depois de junho, e a exemplo do que ocorre entre movimentos como o Occupy e os Indignados espanhois, tornaram-se frequentes, nas manifesta\u00e7\u00f5es brasileiras, ataques gen\u00e9ricos contra o Estado. Seriam todos os governantes iguais? Estar\u00edamos num momento em que \u00e9 poss\u00edvel nos voltar contra eles em bloco?  O MTST tem uma vis\u00e3o diferente \u2013 e bastante sofisticada. Boulos v\u00ea o Brasil num impasse. Durante dez anos, diz ele, os governos Lula e Dilma ampliaram direitos sociais sem incomodar os poderosos: \u201co bolo crescia, era poss\u00edvel aumentar a fatia de todos\u201d. Nos \u00faltimos anos, a receita desandou. Num cen\u00e1rio internacional mais dif\u00edcil \u2013 inclusive com desacelera\u00e7\u00e3o da China, hoje principal importadora de produtos brasileiros \u2013, a economia est\u00e1 estagnada. Seria hora \u201cda redistribui\u00e7\u00e3o efetiva de renda\u201d e de \u201cmudan\u00e7as estruturais\u201d, como a Reforma Pol\u00edtica e a Reforma Tribut\u00e1ria. Dilma hesita, temerosa de romper os la\u00e7os do governo com setores do grande capital \u2013 banqueiros, empreiteiras, ind\u00fastria automobil\u00edstica, por exemplo. A ponto de o l\u00edder dos sem-teto ter dito, na entrevista, que n\u00e3o considera de esquerda o atual governo.  Isso n\u00e3o o leva, por\u00e9m, a igualar o PT aos partidos que representam as velhas elites. Coerente com sua estrat\u00e9gia de acumular for\u00e7as, Boulos busca coroar a impressionante onda de mobiliza\u00e7\u00f5es dos sem-teto com uma vit\u00f3ria. Ainda que seja parcial, sabe ele, esta conquista pode ter enorme efeito simb\u00f3lico. Significar\u00e1 interromper a mar\u00e9 de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, segrega\u00e7\u00e3o social e alta opressiva dos pre\u00e7os, que marca as metr\u00f3poles brasileiras desde a virada do s\u00e9culo.  E aqui surge o terceiro tra\u00e7o particular deste movimento que mant\u00e9m acesa a chama das jornadas de junho. Ele n\u00e3o se limita a criticar a Copa do Mundo, nem a fazer reivindica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas e intang\u00edveis (\u201cSe n\u00e3o tiver direitos, n\u00e3o vai ter Copa\u201d). Formulou uma pauta concreta de exig\u00eancias. Ela \u00e9, ao mesmo tempo, vi\u00e1vel e transformadora. Por isso, coloca o governo Dilma n\u00e3o diante de uma cr\u00edtica ret\u00f3rica (ainda que estridente\u2026), mas em face de um dilema real.  S\u00e3o tr\u00eas os pontos que o MTST persegue, para que o governo sinalize que o legado da Copa n\u00e3o se limitar\u00e1 a um punhado de obras e milhares de desalojados. Primeiro, um controle p\u00fablico dos pre\u00e7os dos alugu\u00e9is urbanos. \u00c9 algo que interessa tanto ao sem-teto quanto \u00e0 classe m\u00e9dia. \u201cJ\u00e1 houve no Brasil \u2013 frisa Boulos \u2013 in\u00fameras leis de regula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre propriet\u00e1rios e inquilinos. A primeira delas veio no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, em resposta \u00e0 greve geral de 1917, em S\u00e3o Paulo. A liberdade total para especular veio dos governos neoliberais e foi mantida, at\u00e9 o momento, por Lula e Dilma. Est\u00e1 na hora de rev\u00ea-la, o que exige uma nova lei.  As duas reivindica\u00e7\u00f5es seguintes s\u00e3o o fim da atual onda de despejos (o MTST quer instalar, na secretaria de Direitos Humanos do governo federal, uma comiss\u00e3o que acompanhe as decis\u00f5es judiciais contra moradores, d\u00ea visibilidade a seu car\u00e1ter muitas vezes absurdo e permita abrir negocia\u00e7\u00f5es) e uma mudan\u00e7a substancial no programa Minha Casa, Minha Vida. Aqui, entram aspectos que a popula\u00e7\u00e3o desconhece.  Em seu formato atual, explica Boulos, o programa \u00e9 um pr\u00eamio para as empreiteiras e o mercado imobili\u00e1rio, muito mais que para as popula\u00e7\u00f5es sem casa. Foi concebido na esteira da crise financeira de 2008, que amea\u00e7ava destro\u00e7ar o setor de constru\u00e7\u00e3o no Brasil. Suas regras primitivas denunciam esta deforma\u00e7\u00e3o.  A empresa que ergue um conjunto habitacional \u00e9 remunerada, pelo governo federal, por apartamento entregue \u2013 n\u00e3o importando qualidade, tamanho ou localiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o R$ 76 mil por unidade, a partir de 39m\u00b2. N\u00e3o h\u00e1 est\u00edmulo algum para oferecer espa\u00e7o mais amplo (as fam\u00edlias s\u00e3o muitas vezes numerosas) ou pr\u00e9dios pr\u00f3ximos \u00e0 infra-estrutura do centro. Vigora a lei da selva. Quando mais barato o terreno (portanto, mais distante e sem benfeitorias), e mais rude a constru\u00e7\u00e3o, maiores ser\u00e3o os lucros do empres\u00e1rio. N\u00e3o por acaso, at\u00e9 os grupos gigantescos que empreitam obras p\u00fablicas \u2013 como Camargo Corr\u00eaa e Oderbrecht \u2013 abriram um ramo no Minha Casa, Minha Vida.  O MTST quer um crit\u00e9rio menos tosco. Por que n\u00e3o estabelecer faixas de remunera\u00e7\u00e3o aos construtores, segundo a localiza\u00e7\u00e3o do conjunto habitacional, tamanho e qualidade da obra?  Por que n\u00e3o quebrar o quase-monop\u00f3lio das construtoras, abrindo espa\u00e7o para que os pr\u00f3prios movimentos sociais construam as habita\u00e7\u00f5es? Um conjunto que os sem-teto erguem no momento, na Grande S.Paulo, ter\u00e1 apartamentos de 63m\u00b2 e tr\u00eas dormit\u00f3rios. Por\u00e9m, pelas regras atuais, as construtoras privadas t\u00eam 66 vezes mais recursos federais, do Minha Casa, Minha Vida, que os movimentos por habita\u00e7\u00e3o.  Boulos reconhece: o governo federal n\u00e3o tem como resolver, at\u00e9 a Copa, a quest\u00e3o dos alugueis. Pode fazer sinaliza\u00e7\u00e3o. Por exemplo, anunciando uma Medida Provis\u00f3ria, ou Projeto de Lei. Mas em rela\u00e7\u00e3o aos despejos, e \u00e0s mudan\u00e7as no Minha Casa, Minha Vida, h\u00e1 espa\u00e7o. Que pesar\u00e1 mais, para Dilma? A possibilidade de abrir di\u00e1logo com um movimento social emergente, cujas reivindica\u00e7\u00f5es expressam parte do resgate da d\u00edvida social brasileira? Ou o compromisso com o c\u00edrculo de interesses que gira em torno de empreiteiras, pol\u00edticos e lobbies?  Na manh\u00e3 desta sexta-feira (6\/6), o MTST anunciou que suspendera a manifesta\u00e7\u00e3o marcada para diante do Est\u00e1dio do Morumbi (S\u00e3o Paulo), onde o Brasil enfrenta, esta tarde, a S\u00e9rvia, no \u00faltimo amistoso antes da Copa. \u00c9 um voto de confian\u00e7a no governo, com quem seguem as negocia\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o uma desist\u00eancia. A Copa come\u00e7a em menos de uma semana. Qual ser\u00e1 a sinaliza\u00e7\u00e3o de Dilma? O projeto lulista considera a hip\u00f3tese de um passo adiante? Ou ser\u00e1 necess\u00e1rio super\u00e1-lo, a partir de longo trabalho de base, para vencer tamb\u00e9m o impasse em que o Brasil se meteu?  POR ANTONIO MARTINS 06\/06\/2014 http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/a-estrategia-de-boulos-e-a-hesitacao-de-dilma\/\">a entrevista pode ser vista, na \u00edntegra, aqui https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7Js-HfncJ_U#t=25<\/a>]. O MTST \u00e9 a bola da vez, na grande onda de mobiliza\u00e7\u00f5es sociais iniciada em junho do ano passado. Na quarta-feira (4\/6), mobilizou 25 mil pessoas, pelo direito a moradia. Rodeou o \u201cItaquer\u00e3o\u201d, onde, em seis dias, come\u00e7a a Copa do Mundo.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Articula-se em todo o pa\u00eds. Em S\u00e3o Paulo, ocupou enormes terrenos urbanos, antes entregues \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Neles vivem (acampados em tendas), organizam-se e se politizam cerca de 30 mil pessoas. O que Boulos exp\u00f4s, na entrevista a Bruno Torturra (do Fluxo) e a mim, \u00e9 essencial para compreender a pot\u00eancia atual do movimento. Tamb\u00e9m ajuda a compreender os limites que o governo Dilma imp\u00f4s a si pr\u00f3prio \u2013 e a necessidade de romp\u00ea-los.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.milenio.com\/internacional\/Movimiento-Trabajadores-MTST-Copa-Mundial_MILIMA20140508_0589_3.jpg\" style=\"width: 650px; height: 439px;\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Tr\u00eas caracter\u00edsticas centrais distinguem o MTST, na vasta gal\u00e1xia de movimentos que se enxergam como herdeiros das jornadas de junho. A primeira \u00e9 a \u00eanfase no trabalho de base, consequ\u00eancia de uma avalia\u00e7\u00e3o particular sobre a conjuntura pol\u00edtica do Brasil. Ao contr\u00e1rio de muitos, os sem-teto n\u00e3o julgam que estejamos \u00e0s vesperas de derrubar a ordem capitalista. Reconhecem a import\u00e2ncia dos protestos do \u00faltimo ano \u2013 mas tamb\u00e9m seus limites. Grandes transforma\u00e7\u00f5es, adverte Boulos, s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis com envolvimento ativo das maiorias. N\u00e3o basta convencer pequenos grupos, os \u201c60 ou 70 mil mais mobilizados\u201d. A fase, portanto, n\u00e3o \u00e9 de enfrentamentos abertos, mas de \u201cacumular for\u00e7as\u201d.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Terminada a fase dos grandes protestos, em julho de 2013, as ruas esvaziaram-se. Alguns grupos tentaram compensar este vazio radicalizando artificialmente as manifesta\u00e7\u00f5es \u2013 o que as desgastou junto a parcela crescente da popula\u00e7\u00e3o. Os sem-teto adotaram outra t\u00e1tica. Preferiram voltar-se para as periferias. L\u00e1, prossegue o l\u00edder do movimento, deu-se algo que nem as classes m\u00e9dias, nem a m\u00eddia, enxergaram. O desconforto provocado pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria converteu-se em desejo de agir. A vit\u00f3ria na redu\u00e7\u00e3o da tarifa de \u00f4nibus \u201cfuncionou como gatilho: sinalizou que a luta social poderia alcan\u00e7ar conquistas\u201d, diz Boulos.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">\u201cN\u00e3o fomos n\u00f3s que estimulamos as ocupa\u00e7\u00f5es de terrenos. Era a popula\u00e7\u00e3o que nos procurava\u201d, prossegue ele. Criado h\u00e1 quinze anos \u2013 em seu in\u00edcio, como uma esp\u00e9cie de \u201cbra\u00e7o urbano\u201d do MST \u2013, o MTST havia acumulado experi\u00eancia para atender ao chamado. Ao inv\u00e9s de se lan\u00e7ar a enfrentamentos egoicos com a pol\u00edcia (e as vitrines de bancos\u2026), articulou desejos coletivos. O resultado apareceu rapidamente.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">No final de novembro come\u00e7ava, na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, a Ocupa\u00e7\u00e3o Nova Palestina. Reuniu 8 mil fam\u00edlias e tem mais 2 mil na lista de espera. S\u00e3o \u201ctrabalhadores em busca de alternativa ao aluguel, que passou em poucos anos de R$ 300 para R$ 800, sem que o sal\u00e1rio tenha subido de modo proporcional, explica o l\u00edder dos sem-teto. T\u00eam, nas ocupa\u00e7\u00f5es, uma escola. Organizam-se em Grupos de Trabalho, para cuidar da alimenta\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e limpeza. Realizam assembleias peri\u00f3dicas. Debatem e agem. Em 29 de abril, ocuparam a C\u00e2mara dos Vereadores, para exigir que o Plano Diretor de S\u00e3o Paulo ampliasse a possibilidade de criar Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) para constru\u00e7\u00e3o de moradias populares.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">A segunda caracter\u00edstica distintiva do MTST \u00e9 sua postura diante do poder. Depois de junho, e a exemplo do que ocorre entre movimentos como o Occupy e os Indignados espanhois, tornaram-se frequentes, nas manifesta\u00e7\u00f5es brasileiras, ataques gen\u00e9ricos contra o Estado. Seriam todos os governantes iguais? Estar\u00edamos num momento em que \u00e9 poss\u00edvel nos voltar contra eles em bloco?<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.diarioliberdade.org\/archivos\/Colaboradores_avanzados\/lucas\/2014-05\/mtst.jpg\" style=\"width: 650px; height: 433px;\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">O MTST tem uma vis\u00e3o diferente \u2013 e bastante sofisticada. Boulos v\u00ea o Brasil num impasse. Durante dez anos, diz ele, os governos Lula e Dilma ampliaram direitos sociais sem incomodar os poderosos: \u201co bolo crescia, era poss\u00edvel aumentar a fatia de todos\u201d. Nos \u00faltimos anos, a receita desandou. Num cen\u00e1rio internacional mais dif\u00edcil \u2013 inclusive com desacelera\u00e7\u00e3o da China, hoje principal importadora de produtos brasileiros \u2013, a economia est\u00e1 estagnada. Seria hora \u201cda redistribui\u00e7\u00e3o efetiva de renda\u201d e de \u201cmudan\u00e7as estruturais\u201d, como a Reforma Pol\u00edtica e a Reforma Tribut\u00e1ria. Dilma hesita, temerosa de romper os la\u00e7os do governo com setores do grande capital \u2013 banqueiros, empreiteiras, ind\u00fastria automobil\u00edstica, por exemplo. A ponto de o l\u00edder dos sem-teto ter dito, na entrevista, que n\u00e3o considera de esquerda o atual governo.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Isso n\u00e3o o leva, por\u00e9m, a igualar o PT aos partidos que representam as velhas elites. Coerente com sua estrat\u00e9gia de acumular for\u00e7as, Boulos busca coroar a impressionante onda de mobiliza\u00e7\u00f5es dos sem-teto com uma vit\u00f3ria. Ainda que seja parcial, sabe ele, esta conquista pode ter enorme efeito simb\u00f3lico. Significar\u00e1 interromper a mar\u00e9 de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, segrega\u00e7\u00e3o social e alta opressiva dos pre\u00e7os, que marca as metr\u00f3poles brasileiras desde a virada do s\u00e9culo.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">E aqui surge o terceiro tra\u00e7o particular deste movimento que mant\u00e9m acesa a chama das jornadas de junho. Ele n\u00e3o se limita a criticar a Copa do Mundo, nem a fazer reivindica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas e intang\u00edveis (\u201cSe n\u00e3o tiver direitos, n\u00e3o vai ter Copa\u201d). Formulou uma pauta concreta de exig\u00eancias. Ela \u00e9, ao mesmo tempo, vi\u00e1vel e transformadora. Por isso, coloca o governo Dilma n\u00e3o diante de uma cr\u00edtica ret\u00f3rica (ainda que estridente\u2026), mas em face de um dilema real.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">S\u00e3o tr\u00eas os pontos que o MTST persegue, para que o governo sinalize que o legado da Copa n\u00e3o se limitar\u00e1 a um punhado de obras e milhares de desalojados. Primeiro, um controle p\u00fablico dos pre\u00e7os dos alugu\u00e9is urbanos. \u00c9 algo que interessa tanto ao sem-teto quanto \u00e0 classe m\u00e9dia. \u201cJ\u00e1 houve no Brasil \u2013 frisa Boulos \u2013 in\u00fameras leis de regula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre propriet\u00e1rios e inquilinos. A primeira delas veio no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, em resposta \u00e0 greve geral de 1917, em S\u00e3o Paulo. A liberdade total para especular veio dos governos neoliberais e foi mantida, at\u00e9 o momento, por Lula e Dilma. Est\u00e1 na hora de rev\u00ea-la, o que exige uma nova lei.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">As duas reivindica\u00e7\u00f5es seguintes s\u00e3o o fim da atual onda de despejos (o MTST quer instalar, na secretaria de Direitos Humanos do governo federal, uma comiss\u00e3o que acompanhe as decis\u00f5es judiciais contra moradores, d\u00ea visibilidade a seu car\u00e1ter muitas vezes absurdo e permita abrir negocia\u00e7\u00f5es) e uma mudan\u00e7a substancial no programa Minha Casa, Minha Vida. Aqui, entram aspectos que a popula\u00e7\u00e3o desconhece.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Em seu formato atual, explica Boulos, o programa \u00e9 um pr\u00eamio para as empreiteiras e o mercado imobili\u00e1rio, muito mais que para as popula\u00e7\u00f5es sem casa. Foi concebido na esteira da crise financeira de 2008, que amea\u00e7ava destro\u00e7ar o setor de constru\u00e7\u00e3o no Brasil. Suas regras primitivas denunciam esta deforma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">A empresa que ergue um conjunto habitacional \u00e9 remunerada, pelo governo federal, por apartamento entregue \u2013 n\u00e3o importando qualidade, tamanho ou localiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o R$ 76 mil por unidade, a partir de 39m\u00b2. N\u00e3o h\u00e1 est\u00edmulo algum para oferecer espa\u00e7o mais amplo (as fam\u00edlias s\u00e3o muitas vezes numerosas) ou pr\u00e9dios pr\u00f3ximos \u00e0 infra-estrutura do centro. Vigora a lei da selva. Quando mais barato o terreno (portanto, mais distante e sem benfeitorias), e mais rude a constru\u00e7\u00e3o, maiores ser\u00e3o os lucros do empres\u00e1rio. N\u00e3o por acaso, at\u00e9 os grupos gigantescos que empreitam obras p\u00fablicas \u2013 como Camargo Corr\u00eaa e Oderbrecht \u2013 abriram um ramo no Minha Casa, Minha Vida.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">O MTST quer um crit\u00e9rio menos tosco. Por que n\u00e3o estabelecer faixas de remunera\u00e7\u00e3o aos construtores, segundo a localiza\u00e7\u00e3o do conjunto habitacional, tamanho e qualidade da obra?<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Por que n\u00e3o quebrar o quase-monop\u00f3lio das construtoras, abrindo espa\u00e7o para que os pr\u00f3prios movimentos sociais construam as habita\u00e7\u00f5es? Um conjunto que os sem-teto erguem no momento, na Grande S.Paulo, ter\u00e1 apartamentos de 63m\u00b2 e tr\u00eas dormit\u00f3rios. Por\u00e9m, pelas regras atuais, as construtoras privadas t\u00eam 66 vezes mais recursos federais, do Minha Casa, Minha Vida, que os movimentos por habita\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Boulos reconhece: o governo federal n\u00e3o tem como resolver, at\u00e9 a Copa, a quest\u00e3o dos alugueis. Pode fazer sinaliza\u00e7\u00e3o. Por exemplo, anunciando uma Medida Provis\u00f3ria, ou Projeto de Lei. Mas em rela\u00e7\u00e3o aos despejos, e \u00e0s mudan\u00e7as no Minha Casa, Minha Vida, h\u00e1 espa\u00e7o. Que pesar\u00e1 mais, para Dilma? A possibilidade de abrir di\u00e1logo com um movimento social emergente, cujas reivindica\u00e7\u00f5es expressam parte do resgate da d\u00edvida social brasileira? Ou o compromisso com o c\u00edrculo de interesses que gira em torno de empreiteiras, pol\u00edticos e lobbies?<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-932\" alt=\"\" src=\"http:\/\/pueblosencamino.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/MTST.jpg\" style=\"width: 650px; height: 408px;\" width=\"780\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/pueblosencamino.org\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/MTST.jpg 780w, https:\/\/pueblosencamino.org\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/MTST-300x188.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Na manh\u00e3 desta sexta-feira (6\/6), o MTST anunciou que suspendera a manifesta\u00e7\u00e3o marcada para diante do Est\u00e1dio do Morumbi (S\u00e3o Paulo), onde o Brasil enfrenta, esta tarde, a S\u00e9rvia, no \u00faltimo amistoso antes da Copa. \u00c9 um voto de confian\u00e7a no governo, com quem seguem as negocia\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o uma desist\u00eancia. A Copa come\u00e7a em menos de uma semana. Qual ser\u00e1 a sinaliza\u00e7\u00e3o de Dilma? O projeto lulista considera a hip\u00f3tese de um passo adiante? Ou ser\u00e1 necess\u00e1rio super\u00e1-lo, a partir de longo trabalho de base, para vencer tamb\u00e9m o impasse em que o Brasil se meteu?<\/span><\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \t<span style=\"font-size:16px;\"><strong><a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/a-estrategia-de-boulos-e-a-hesitacao-de-dilma\/\">POR ANTONIO MARTINS<\/a><\/strong><\/span><\/div>\n<div> \t<span style=\"font-size:16px;\"><strong><a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/a-estrategia-de-boulos-e-a-hesitacao-de-dilma\/\">06\/06\/2014<\/a><\/strong><\/span><\/div>\n<div> \t<span style=\"font-size:16px;\"><strong><a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/a-estrategia-de-boulos-e-a-hesitacao-de-dilma\/\">http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/a-estrategia-de-boulos-e-a-hesitacao-de-dilma\/<\/a><\/strong><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El Movimiento de Trabajadores sin Techo de Brasil, propone una agenda concreta de tres puntos al gobierno de Dilma y<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":932,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-933","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-c35-contradiciones"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/933\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}