{"id":1648,"date":"2015-07-27T04:28:40","date_gmt":"2015-07-27T04:28:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pueblosencamino.org\/wp\/?p=1648"},"modified":"2015-07-27T04:28:40","modified_gmt":"2015-07-27T04:28:40","slug":"casimiro-o-indio-do-mar-baltico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pueblosencamino.org\/?p=1648","title":{"rendered":"Casimiro, o \u00edndio do Mar B\u00e1ltico"},"content":{"rendered":"<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Jos\u00e9 Ribamar Bessa Freire relata la historia de Casimiro Beksta, un indio del Mar B\u00e1ltico, con historias y vida de indio. Esas historias ya no se contar\u00e1n m\u00e1s porque Casimir\u00f3 acaba de morir en un hospital de Manaus a los 92 a\u00f1os. Pero sus historias deliciosas sobre la diferencia de la lengua y la cultura sobrevivir\u00e1n. Ribamar lo rememora con un par de ellas.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px; line-height: 17.9200000762939px;\">&#8211; Pai Nosso que estais no c\u00e9u, santificado seja o Vosso Nome,&nbsp;venha a n\u00f3s o Vosso que diabo \u00e9 isso&#8230;<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Era assim que \u00edndios Tukano de uma comunidade do Rio Negro rezavam em sua l\u00edngua materna, quando o padre Casimiro&nbsp;B\u00e9ksta l\u00e1 chegou na d\u00e9cada de 50. Intrigado, ele<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"right\" alt=\"http:\/\/www.taquiprati.com.br\/images\/Casimiro%20foto%202(2).jpg\" height=\"283\" src=\"file:\/\/\/C:\\Users\\Adry\\AppData\\Local\\Temp\\msohtmlclip1\\01\\clip_image002.jpg\" width=\"488\" \/>&nbsp;investigou e descobriu que a ora\u00e7\u00e3o havia sido traduzida no in\u00edcio do s\u00e9c. XX por um mission\u00e1rio italiano que n\u00e3o falava tukano, ajudado por um \u00edndio que n\u00e3o falava bem portugu\u00eas. Num processo bastante simpl\u00f3rio, o italiano ia perguntando em portugu\u00eas e anotando palavra por palavra em tukano:<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">&#8211; Como voc\u00eas dizem \u00abpai\u00bb, \u00abc\u00e9u\u00bb, \u00abnome\u00bb, \u00abterra\u00bb, \u00abdia\u00bb?<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">At\u00e9 que indagou:<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">&#8211; E \u00abreino\u00bb?<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Sem saber se \u00abreino\u00bb se comia com farinha, a resposta do informante tukano, que agradaria a Pierre Clastres, foi equivalente a algo assim como:<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">&#8211; Que diabo \u00e9 isso?<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">O italiano n\u00e3o duvidou, inseriu esta locu\u00e7\u00e3o na vers\u00e3o tukano do Pai Nosso achando que significava \u00abreino\u00bb e voltou para a It\u00e1lia. Mas os \u00edndios, que ficaram d\u00e9cadas sem mission\u00e1rio, n\u00e3o esqueceram aquela ora\u00e7\u00e3o sem nexo at\u00e9 a chegada do padre Casimiro, que identificou o equ\u00edvoco quando se tornou fluente em tukano.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Essas e outras hist\u00f3rias deliciosas sobre diferen\u00e7a de l\u00edngua e cultura e sobre a alteridade nunca mais ser\u00e3o contadas por Casimiro Beksta (1923-2015), que faleceu nesta ter\u00e7a-feira, num hospital de Manaus, aos 92 anos. Algumas, por\u00e9m, ficaram registradas em artigos e cartas, duas das quais enviadas a mim, guardadas como preciosidades, onde discute a hist\u00f3ria do nheengatu e a tradu\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o se limita ao aspecto formal e sist\u00eamico da l\u00edngua, mas abarca tamb\u00e9m outros elementos culturais.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\"><strong><u>L\u00edngua suja<\/u><\/strong><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">No relato sobre as \u00ab<em>Experi\u00eancias de um pesquisador entre os Tukano\u00bb<\/em>&nbsp;(Revista de Antropologia, USP, 1968) Casimiro defende que na coleta das narrativas m\u00edticas n\u00e3o se deve usar int\u00e9rpretes, porque&nbsp;<em>\u00aba tradu\u00e7\u00e3o nunca ser\u00e1 completa e o int\u00e9rprete poder\u00e1 at\u00e9 mesmo adaptar a narra\u00e7\u00e3o ao gosto do branco\u00bb.<\/em>&nbsp;Recomenda:&nbsp;<em>\u00aba condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e9 que o pesquisador conhe\u00e7a a l\u00edngua\u00bb.<\/em><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Ele aprendeu a l\u00edngua com seus alunos. Um deles foi Gabriel Gentil. O outro \u00c1lvaro Tukano, \u00ab<em>o mais brilhante de todos<\/em>\u00ab, lhe ensinou que&nbsp;\u00ab<em>as palavras sagradas usadas nas cerim\u00f4nias tem sentido diferente da linguagem cotidiana, portanto \u00e9 necess\u00e1rio saber o significado pr\u00f3prio de cada express\u00e3o<\/em>\u00ab, o que implica conhecer os meandros da l\u00edngua e saber interpretar sentidos no seu contexto de uso. N\u00e3o foi dif\u00edcil entender os \u00edndios, para quem vivenciara experi\u00eancia similar em sua terra natal.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"http:\/\/www.taquiprati.com.br\/images\/casimiro%20foto.jpg\" height=\"396\" src=\"file:\/\/\/C:\\Users\\Adry\\AppData\\Local\\Temp\\msohtmlclip1\\01\\clip_image004.jpg\" width=\"342\" \/>Nascido na Litu\u00e2nia, Casimiro falava&nbsp;<em>lietuvi\u0173 kalba&nbsp;<\/em>ou lituano, uma l\u00edngua b\u00e1ltica&nbsp;minorit\u00e1ria que estava em contato com outras de maior prest\u00edgio como o polon\u00eas, o russo e o ucraniano. Sofreu muito com a discrimina\u00e7\u00e3o de sua l\u00edngua materna considerada suja, moribunda, sem futuro, pobre e atrasada. O preconceito se estendia \u00e0s narrativas, can\u00e7\u00f5es e contos populares da mitologia lituana que circulavam na tradi\u00e7\u00e3o oral e que ele ouvia, encantado, na sua inf\u00e2ncia. Nesse sentido, Casimiro B\u00e9ksta era um \u00edndio do Mar B\u00e1ltico.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Por isso, foi amor \u00e0 primeira vista quando chegou ao Rio Negro (AM) em 1951. Sua hist\u00f3ria estava l\u00e1, na identifica\u00e7\u00e3o com os \u00edndios da regi\u00e3o que falam 23 l\u00ednguas e nelas narram seus mitos. Fugiu da Litu\u00e2nia, anexada pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1940, passou pela Alemanha e desembarcou no Amazonas, enviado pela Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana. Mas a diversidade lingu\u00edstica e cultural que o deslumbrava, incomodava sua Congrega\u00e7\u00e3o que criou internatos, onde as crian\u00e7as ind\u00edgenas eram castigadas fisicamente e obrigadas a lavar a boca se falassem a l\u00edngua materna.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\"><strong><u>A \u00abpaudagogia\u00bb<\/u><\/strong><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Esse \u00edndio do mar B\u00e1ltico sofria na pr\u00f3pria pele o tratamento dado pela escola salesiana, ainda mais porque fazia parte da Congrega\u00e7\u00e3o que impunha o portugu\u00eas a ferro e fogo, reprimia os idiomas maternos e buscava apag\u00e1-los do mapa lingu\u00edstico. Talvez por isso ele buscou ref\u00fagio no CIMI &#8211; Conselho Indigenista Mission\u00e1rio, \u00f3rg\u00e3o da CNBB, que fazia cr\u00edticas contundentes \u00e0 \u00abpaudagogia\u00bb praticada nos internatos. Foi l\u00e1 que eu o conheci, quando edit\u00e1vamos em Manaus, em 1978, o&nbsp;<em>Porantim<\/em>, \u00abum jornal em defesa da causa ind\u00edgena\u00bb, com o te\u00f3logo Paulo S\u00fcss, secret\u00e1rio do CIMI, o pesquisador Renato Athias e o seminarista Ademir Ramos.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Casimiro me ajudou a escrever para este jornal do CIMI uma mat\u00e9ria sobre a epidemia de suic\u00eddios entre os \u00edndios do Rio Negro, que tinham em comum o fato de serem todos alunos ou ex-alunos dos internatos ou de algumas das 117 escolas mantidas pela Prelazia em \u00e1rea ind\u00edgena. Eram mais de 7.000 crian\u00e7as e jovens humilhados e emudecidos em suas respectivas l\u00ednguas. Uma delas, Ana dos Santos, 15 anos, aluna da 7\u00aa s\u00e9rie da escola de Santa Isabel disparou um tiro de espingarda na barriga.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">&#8211; O suic\u00eddio \u00e9 pr\u00e1tica desconhecida entre as culturas do Rio Negro. Tanto \u00e9 que n\u00e3o existe tradu\u00e7\u00e3o para a palavra \u00absuic\u00eddio\u00bb nas l\u00ednguas ind\u00edgenas &#8211; nos informou Casimiro.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Combinei esta informa\u00e7\u00e3o com o artigo&nbsp;<em>\u201cLangage et Pathologie Sociale\u201d<\/em>&nbsp;do antrop\u00f3logo belga Marcel D\u00b4Ans, que eu acabara de ler, no qual&nbsp;usa a categoria&nbsp;<em>\u2018souffrance\u2019<\/em>&nbsp;para explicar que o desespero provocado pelas tens\u00f5es e conflitos lingu\u00edsticos criados, neste caso, pela escola&nbsp;<em>\u201cpode chegar, nos casos mais graves, ao suic\u00eddio<\/em>\u201d. Escrevi, ent\u00e3o,&nbsp;o artigo panflet\u00e1rio \u00abComo matar \u00edndio com giz e apagador\u00bb, questionando o internato salesiano. Publiquei no<em>&nbsp;Porantim<\/em>&nbsp;com o nome do meu finado pai, J. Barbosa, preservando a mim e ao Casimiro.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\"><strong><u>Os mitos<\/u><\/strong><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Suspeito que os superiores da Congrega\u00e7\u00e3o desconfiavam da rela\u00e7\u00e3o de &nbsp;Casimiro com o tal J. Barbosa, autor de outros artigos provocadores, que faziam refer\u00eancia aos mitos tukano pelos quais Casimiro se apaixonara, dando dicas valiosas para sua coleta.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Num curso de Antropologia Amaz\u00f4nica ministrado em 1978 por<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"http:\/\/www.taquiprati.com.br\/images\/canoa%201(2).jpg\" height=\"262\" src=\"file:\/\/\/C:\\Users\\Adry\\AppData\\Local\\Temp\\msohtmlclip1\\01\\clip_image006.jpg\" width=\"400\" \/>&nbsp;Carmen Junqueira, Beto Ricardo e Rubem C\u00e9sar na Universidade do Amazonas, Casimiro contou que presenciara uma crian\u00e7a ser mordida por cobra numa comunidade do alto Uaup\u00e9s. Era preciso transport\u00e1-la para um hospital em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, distante tr\u00eas dias por via fluvial, percorrendo trechos encachoeirados de dif\u00edcil navegabilidade, onde ocorriam sempre naufr\u00e1gios e mortes. Um barco de pequeno porte estava dispon\u00edvel, mas n\u00e3o havia quem o pilotasse, os \u00edndios especialistas estavam ausentes.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">&#8211; Eu levo o barco &#8211; se ofereceu um jovem tukano.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">&#8211; Voc\u00ea j\u00e1 fez essa viagem? &#8211; perguntou Casimiro.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">&#8211; Eu nunca, mas meus primeiros ancestrais fizeram este trajeto na cobra-canoa e eu conhe\u00e7o os<em>wametis\u00e9 &#8211;<\/em>&nbsp;os lugares por onde a cobra-grande passou, meu av\u00f4 me contou a hist\u00f3ria das casas de transforma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"right\" alt=\"http:\/\/www.taquiprati.com.br\/images\/cobra%20%20zero(1).jpg\" height=\"285\" src=\"file:\/\/\/C:\\Users\\Adry\\AppData\\Local\\Temp\\msohtmlclip1\\01\\clip_image008.jpg\" width=\"400\" \/>A narrativa m\u00edtica registra, efetivamente, as refer\u00eancias geogr\u00e1ficas, as marcas e os sinais nas pedras, nas praias, nas serras, nas ilhas e acabou sendo usada pelo jovem como um mapa de navega\u00e7\u00e3o. Orientado pelo mito, o jovem tukano passou por todas as cachoeiras e guiou o barco com a crian\u00e7a enferma at\u00e9 S\u00e3o Gabriel. Recentemente, a Foirn, o ISA e uma equipe de filmagem do Video nas Aldeias mapearam esses lugares sagrados para fortalecer os conhecimentos tradicionais sobre o territ\u00f3rio e contribuir para sua prote\u00e7\u00e3o e seu manejo adequado.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Casimiro nos deixou as narrativas que registrou, as l\u00ednguas que estudou, os documentos que produziu e uma admira\u00e7\u00e3o incondicional pelos \u00edndios. Daqui do&nbsp;<em>Di\u00e1rio do Amazonas<\/em>&nbsp;o nosso adeus saudoso ao \u00edndio do mar B\u00e1ltico, esperando que a carta de navega\u00e7\u00e3o da cobra-canoa lhe seja \u00fatil nessa \u00faltima viagem at\u00e9&nbsp;<em>Herip\u00f5r\u00e3 duhiriwii<\/em>, \u00aba casa onde senta cora\u00e7\u00e3o, alma\u00bb.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">P.S. &#8211; Da correspond\u00eancia irregular que mantive com Casimiro, conservo duas cartas que me enviou em 2004, onde fala de seu trabalho, de seus projetos, de suas d\u00favidas, de suas leituras e discute, entre outras quest\u00f5es, a de autoria ind\u00edgena.<\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Manaus, dia 24 de mar\u00e7o de 2004<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"> \t<span style=\"font-size: 14px; line-height: 17.9200000762939px;\">Muito estimado Senhor<\/span><span style=\"font-size: 14px; line-height: 17.9200000762939px;\">,<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px; line-height: 17.9200000762939px;\">Acabo de receber o volume de \u00abL\u00ednguas Gerais\u00bb da ed. UERJ, 2003. Muito agradecido por esta contribui\u00e7\u00e3o e por Sua dedicat\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">I.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Neste tempo estou colocando no computador os antigos catecismos em L\u00edngua Geral do rio Negro e reorganizando os Vocabul\u00e1rios de Stradelli. Constatei uma s\u00e9rie de problemas nestes textos: como apresentar, aos falantes de L\u00edngua Geral, nomes de personagens e id\u00e9ias abstratas de uma cultura importada t\u00e3o diferente. Estou traduzindo os textos da L\u00edngua Geral para o portugu\u00eas, pensando, o que os receptores daquelas mensagens podiam ter entendido.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">No volume recebido, Alfaro relata dados do 3\u00ba Conc\u00edlio Limense, onde sofriam o mesmo problema: ou colocar o nome de Deus ind\u00edgena, e assim confirmar a mitologia antiga, ou imp\u00f4r o nome de Deus em espanhol, e este, como corpo estranho, n\u00e3o comunicava nada ao ind\u00edgena&#8230;.Logo, desde s\u00e9c. 16 at\u00e9 hoje n\u00e3o foi encontrada a solu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Tamb\u00e9m na Miss\u00e3o Salesiana em Tapuruquara os meninos yanom\u00e1mi, junto com os caboclos, cantavam nos domingos as V\u00e9speras em latim&#8230;. do mesmo modo como os tucanos cantam animados, no dabacuri, o Kapiway\u00e1, numa antiga l\u00edngua Aruak, sem saber o que significa o texto cantado.<\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">II.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Acho a Sua tese hist\u00f3rica sobre a L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica muito rica de informa\u00e7\u00f5es. Repetidas vezes leio e releio, parece at\u00e9 como enciclop\u00e9dia especializada! Por isso, venho a molest\u00e1-lo com um pedido:<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Eu gostaria descobrir, de que modo o Ant\u00f4nio de Amorim Brand\u00e3o conseguiu de se atribuir a Autoria das lendas por ele publicadas:<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">1. Stradelli, no ap\u00eandice aos vocabul\u00e1rios (p\u00e1g.740-760) traz lendas bar\u00e9 (Kukuhy, Poronominare) e Er\u00e9m, lenda cub\u00e9ua (pg.762 e 768) anotando: Das lendas ind\u00edgenas RECOLHIDAS POR MAX J. ROBERTO, transcriptas por Ant\u00f4nio Amorim. Ser\u00e1 que Brand\u00e3o usou o manuscrito do M. J. Roberto, sem indicar a autoria do texto original? As duas lendas bar\u00e9 est\u00e3o no volume do Amorim Brand\u00e3o (Kukuhy, p\u00e1g.311-319); Poronominare, p\u00e1g. 177-172). A lenda Erem, trazida por Stradelli, n\u00e3o est\u00e1 no volume das lendas do Am Brand\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">2. No volume das Lendas em nheengatu e em portugu\u00eas, 1987 [1926], Amorim parece ser coletor \u00fanico desses textos, usa o verbo em 1\u00aa pessoa singular, nas notas: &#8211; dahi o sermos recebidos (p\u00e1g.43, nota 3), &#8211; N\u00e3o tenho encontrado (p\u00e1g 43, nota 3), &#8211; querendo eu trazer algumas fui vel-as&#8230;(p\u00e1g. 47, nota 17) EM CARURU &#8211; pude apenas alcan\u00e7ar que da bocca de seus antepassados sabiam&#8230; (p\u00e1g. 51), &#8211; Encontrei apenas quatro pessoas (p\u00e1g.211, Nota), &#8211; a quem devo tamb\u00e9m as notas sobre o dabucury entre os Macuxys (p\u00e1g. 211, nota).<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">3. Na introdu\u00e7\u00e3o, \u00abo illustrado general dr. Aur\u00e9lio de Amorim\u00bb (p\u00e1g. 07) conta como seu irm\u00e3o, o Antonio Brand\u00e2o do Amorim, \u00abo COLLECTOR das hist\u00f3rias e lendas (p\u00e1g.07)\u00bb&#8230;. \u00abNos dias de f\u00e9rias mettia-se numa can\u00f4a e, em companhia de Maximiano, j\u00e1 remando, j\u00e1 pegando o jacum\u00e3, l\u00e1 se iam a visitar as malocas, a estudar e aprender os costumes ind\u00edgenas, sua l\u00edngua&#8230;.(p\u00e1g. 09)\u00bb e assim \u00abesteve nos rios Negro e Branco (p\u00e1g.09)\u00bb sem indicar at\u00e9 onde os dois teriam chegado: ser\u00e1 que ambos estiveram no alto Uaup\u00e9s, entre os Cub\u00e9ua e Uanana? E l\u00e1, na penumbra da maloca, Max. J. Roberto teria taquigrafados as longas falas do velho informante, para depois o Brand\u00e3o coletar e \u00abtranscrever\u00bb os manuscritos de Max. J. Roberto?<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">4. Na biografia \u00abEm mem\u00f3ria\u00bb do conde E. Stradelli, Cascudo exalta o Max. J. Roberto como RECOLHEDOR apaixonado de centenas de lendas (p\u00e1g. 9), lendas das guerras do Buop\u00e9, das quais Stradelli f\u00eaz a tradu\u00e7\u00e3o italiana, no Boletim Geogr\u00e1fico. \u00abUma cole\u00e7\u00e3o preciosa sobre as andan\u00e7as guerreiras e os mitos de Jurupari. \u00c9 a s\u00e9rie recolhida pacientemente por Max J. Roberto e traduzida admiravelmente por Ant\u00f4nio Brand\u00e3o de Amorim\u00bb, diz Cascudo (p\u00e1g.61), \u00abEm Mem\u00f3ria de Stradelli\u00bb. Estas lendas das guerras dos Buop\u00e9s est\u00e3o na cole\u00e7\u00e3o do Brand\u00e3o Amorim, em nheengatu e portugu\u00eas, sem mencionar o Max. J. Roberto.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">5. J. Barbosa Rodrigues, no vol.2\u00ba de Muyrakyt\u00e3, conta como Max J. Roberto entregou a lenda do Jurupari ao Stradelli, que a traduziu ao italiano e publicou sem mencionar o nome de Max. . Roberto. &#8211; A. Brand\u00e3o, na longa nota (6) na p\u00e1g. 224 refere-se \u00e0 Lenda de Jurupari, dizendo: \u00aba grande lenda colhida por Max .Roberto\u00bb.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">6. O Desembargador Geraldo Pinheiro me tinha emprestado um livrinho de Stradelli, impresso em Manaus, \u00abDois poemetos\u00bb (Ajuricaba e Pitiapo). No Pitiapo h\u00e1 uma maravilhosa descri\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do amanhecer (texto aut\u00eantico de Stradelli), que poderia ser inclu\u00edda nas antologias das Belas Letras amaz\u00f4nicas. Depois, em estilo m\u00e9trico do poema, descreve a guerra dos Uananas, que parece bastante pr\u00f3ximo ao texto publicado em Nheengatu-portugu\u00eas, por Brand\u00e3o Amorim.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Ser\u00e1 que naquele tempo cada um cuidado de publicar textos ind\u00edgenas com seu pr\u00f3prio nome, sem dizer como obteve os dados do escritor ind\u00edgena:<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Sei que o Sr, conhece isto melhor que eu, e pe\u00e7o queira dar Suas dicas, a respeito desta quest\u00e3o. Talvez poderia fazer um artigo, melhor do que o do Cascudo, para devolver ao Max J. Roberto os direitos autorais e a import\u00e2ncia do \u00abautor ind\u00edgena\u00bb, de cujos manuscritos se aproveitavam os brancos. O Max J. Roberto foi nono-neto de Buop\u00e9, filho de uma irm\u00e3 do tux\u00e1wa de Jauret\u00e9-Cachoeira, descendente direto de C\u00e1ri, primog\u00eanito do grande chefe Tariana (p\u00e1g.63, Cascudo, Em Mem\u00f3ria de Stradelli)<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Sem mais, sa\u00fado-O respeitosamente, desejando-Lhe feliz P\u00e1scoa\u00bb<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Pe. Casimiro Beksta, SDB (assinatura)<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Manaus, dia 20 de julho de 2004<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\">Muito estimado Senhor,<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px; line-height: 17.9200000762939px;\">Acabo de receber \u00abo rio Babel\u00bb, ainda quente, rec\u00e9m-impresso. Fiquei muito feliz, vendo que o texto da Sua disserta\u00e7\u00e3o tornou-se uma fonte acess\u00edvel a muitos, onde poder\u00e3o compreender o vai-vem da hist\u00f3ria do Nheengat\u00fa Amaz\u00f4nico e saber onde ficam os textos antigos: a rica bibliografia orientar\u00e1 as novas pesquisas.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">A dedicat\u00f3ria ao Jos\u00e9 Parel \u00e9 belissimo resumo do que \u00e9 esta l\u00edngua: o Jos\u00e9 Parel, sater\u00e9-maw\u00e9, comunica-se com o menino branco Jos\u00e9, na l\u00edngua intermedi\u00e1ria, que \u00e9 Nheengat\u00fa, \u00abl\u00edngua de comunica\u00e7\u00e3o inter\u00e9tnica\u00bb<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Agrade\u00e7o-Lhe tamb\u00e9m por Sua amizade, manifesta no Seu aut\u00f3grafo.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Com maiores aug\u00farios para o sucesso dos Seus trabalhos,<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">sa\u00fada-O respeitosamente<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\">Pe. Casimiro B\u00e9ksta. Caixa Posta 427, 69.011-3903 &#8211; Manaus-AM.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p align=\"right\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><strong>V\u00eda: <\/strong><strong>Jos\u00e9 Ribamar Bessa Freire<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"right\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><strong>26\/07\/2015 &#8211; Di\u00e1rio do Amazonas<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"right\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=1154\">http:\/\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=1154<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ribamar Bessa Freire relata la historia de Casimiro Beksta, un indio del Mar B\u00e1ltico, con historias y vida de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-1648","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c13-resistencias-y-luchas-sociales"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1648"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1648\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pueblosencamino.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}